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Em plena Serra d'Arga |
Desloquei-me a
Caminha para a realização da última prova do circuito de ultra trail: o Grande
Trail da Serra d’Arga, prova com 45 quilómetros e um desnível positivo de 2.500
m.
As condições
climatéricas foram a principal dificuldade da prova, com muita chuva, vento
muito forte e nevoeiro que dificultava a navegação, sobretudo nos pontos mais
altos da serra. Como sabia à partida as condições que me esperavam, decidi não
arriscar muito nesta prova, pois dou-me mal com descidas em pedra molhada. O
meu único objectivo seria ajudar a equipa a lutar pelo 1º lugar da
classificação do circuito de ultra trail. À partida para a última prova, a que
tudo decidiria, estávamos empatados com a excelente equipa Desnível Positivo,
que corria “em casa”, local de treino frequente de muitos dos seus atletas. A
tarefa apresentava-se muito complicada, mas enquanto existisse a possibilidade de vitória, tudo faríamos para a conquistar.
Início da prova
e logo uma subida bastante grande, que faço com conforto, ultrapassando alguns
atletas. Chegando ao cimo, estou entre os primeiros 15/20 atletas, mas mal se
inicia a descida, começo a ser sistematicamente ultrapassado. Estava dado o
mote de toda a prova: conquista de alguns lugares nas subidas, a rolar bem nos
raros terrenos planos existentes e perdendo lugares nas descidas. Nessa descida
inicial sou ultrapassado por 2 elementos da equipa, o Miguel Baptista e o Bruno
Fernandes. Sou agora o terceiro elemento e o que tem a responsabilidade de
fechar a equipa, por isso não posso ceder muito. Acabo por ir a par do Germano
Capela, que evidencia as mesmas características que eu, resguardando-se nas
descidas. Mais à frente, o duo transforma-se em trio, com a junção do Zé Carlos
Santos. Vamos progredindo pelas subidas e descidas constantes, fazendo face à
intempérie que se abate sobre nós. Nalguns pontos, precisamos de abrandar e
procurar as marcações, pois a visibilidade é muito baixa. De uma forma geral,
achei que as marcações estavam bem feitas, mas isso não impede que alguns
atletas se percam, pois o nevoeiro, a forte chuva e a tecnicidade do terreno
não permite que se veja facilmente as referidas marcações.
Entretanto, o
Germano fica para trás e regresso ao formato duo, desta vez com o Zé Carlos.
Bastante fortes nas subidas, rolando bem onde é possível, mas muito prudentes
nas descidas, sobretudo na pedra molhada. O meu objectivo continua a ser chegar
ao fim, evitando alguma lesão que pudesse hipotecar as possibilidades da
equipa. Vou começando a sentir algum cansaço muscular, mas nada de anormal
atendendo aos quilómetros já efectuados e ao desnível que a prova tem.
Aproxima-se a última descida, que sei de antemão que é complicada, pois
corresponde à primeira subida realizada. A descida é feita sobre pedra cheia de
água, que em alguns pontos se transforma num rio. O Zé Carlos desce mais rápido
do que eu e ganha-me alguns metros. Num deslize meu, acabo por torcer um pé ao
colocá-lo mal num buraco escondido pela muita água que corre. Sinto uma dor
intensa, mas que gradualmente vai melhorando, permitindo-me voltar a correr e
retomar o caminho da meta.
Chego à meta
após 5h29m48s, em 46º lugar da geral. Encontro os meus colegas de equipa e logo
ali fico a saber que tínhamos ganho o duelo com o Desnível Positivo. A vitória
no circuito era nossa!
Individualmente, terminei o
circuito em 18º lugar da geral e em 5º lugar do escalão M40 (dos 40 aos 50
anos). Para o ano procurarei fazer melhor.
Gostei do
percurso e da companhia do Zé Carlos, mas gostaria de ter feito a prova noutras
condições metereológicas, que permitissem ver a paisagem da serra.
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O Mundo da Corrida - Equipa Campeã do Circuito de Ultra Trail |
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